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Revolta dos Búzios – A revolução que abalou a Bahia colonial! Por Valdir Estrela

 

Por Valdir Estrela 

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O século 19 foi o século das revoltas escravas conforme alguns historiadores a exemplo de Clóvis Moura e João Reis. E a principal delas foi sem dúvida a que ocorreu em Salvador, em 1798, e foi nomeada como Inconfidência ou Conjuração Baiana, Revolta dos Alfaiates, e mais recentemente pelo movimento negro brasileiro organizado contemporâneo como Revolta dos Búzios ou das Argolinhas.

Pelo seu programa político e bandeiras de luta é considerado depois da Revolta de Palmares, o movimento mais radical e avançado do Brasil-Colônia. Como principais objetivos defendia o fim da escravidão e o estabelecimento de uma República nos moldes da que foi implantada na França quase uma década antes. E apesar da participação e apoio de alguns intelectuais foi um movimento organizado e liderado por lideranças dos setores populares e na sua maioria bastante jovens, descendentes de escravos e libertos, negros e pardos.

O primeiro a se destacar é Luís Gonzaga das Virgens, que inicia a propagação dos objetivos do movimento: a) Independência da capitania; b) Governo republicano; c) Liberdade de comércio e abertura dos portos às nações; d) Cada soldado terá o soldo de 200 réis por dia; e) Libertação dos escravos. Com a intensificação da repressão a revolta não chega a se efetivar e são feitas dezenas de prisões estando entre estas, os considerados principais líderes da insurreição, Luís Gonzaga das Virgens, João de Deus do Nascimento, Manuel Faustino dos Santos Lira, Lucas Dantas e Antônio José.

Depois de um processo completamente manipulado, em 08 de novembro de 1799, os quatro primeiros são julgados culpados e enforcados na Praça da Piedade. Antônio José morreu provavelmente envenenado um dia depois de sua prisão. Os demais presos tiveram suas vidas poupadas porém sofreram duras penas. A se destacar na revolta a participação feminina que também foi reprimida e vítima de prisões como Luiza Francisca D’Araújo: parda, livre, casada com João de Deus, presa em 26 de agosto de 1798 e solta em 05 de setembro do mesmo ano; Lucrécia Maria Quent: negra, forra, natural desta cidade, presa em 15 de setembro de 1798 e solta em 26 de setembro do mesmo ano; Ana Romana Lopes: parda, forra, natural desta cidade, presa em 15 de setembro de 1798 e solta em 20 de setembro do mesmo ano; Domingas Maria do Nascimento: parda, forra; Vicência: crioula, forra.

Até hoje, 223 anos depois, a Revolta dos Búzios segue inspirando os que lutam contra as opressões de raça, classe e gênero, que se baseiam em suas lutas nos belos e ousados panfletos revolucionários pregados nas paredes das ruas da Salvador colonial, entre os quais, destacamos, “homens, o tempo é chegado para vossa ressurreição, sim para ressuscitardes do abismo da escravidão, para salvardes a sagrada bandeira da liberdade”. Heróis da Revolta dos Búzios, presentes!

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