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Rose Aleluia: artigo no Mês da Mulher

Não devemos ser Abelhas-rainhas

É muito comum na sociedade atual debatermos e enfrentarmos o machismo masculino, mas quando o assunto é falar sobre o machismo feminino, parece estarmos vivendo uma profunda contradição, um profundo retrocesso em pleno século XXI. Após tantos avanços e conquistas, momento em que se comemora tanto o empoderamento da mulher, percebe-se a necessidade de se quebrar paradigmas e fazer autorreflexão.

Ao longo do caminhar, observando comportamentos femininos em diversos espaços percorridos, e fazendo profundas avaliações, não poderia deixar de trazer aqui o debate. Por ser parte integrante deste sexo, devo sempre repudiar o machismo ou qualquer tipo de preconceito contra as mulheres, afirmo que o 8 de Março não é apenas uma data  a ser comemorada, é um marco na história de todas as mulheres, por isso deve ser  lembrado diariamente, levando em consideração a história que o remete, não pode ser dois pesos e duas medidas.

Todo respeito às bravas mulheres e amigas que estão aí na militância feminista, mas realmente é difícil acreditar que mulheres tenham um preconceito tão acirrado contra membros do mesmo gênero. Talvez em parte por ser um tópico tão espinhoso, esse fenômeno tende a ser descartado, entretanto, é fundamental abrir o debate, precisamos continuar derrubando tantos muros que foram impostos em nossos caminhos ao longo dos tempos, e continuarmos construindo as nossas pontes.

Especialistas afirmam que mulheres estão predestinadas pela evolução a não colaborar com mulheres as quais não tenham relação. Suas pesquisas sugerem que mulheres e meninas estão menos dispostas do que homens e meninos a colaborar com indivíduos do mesmo gênero em posição inferior; elas têm maior probabilidade de acabar com amizades do mesmo gênero; e estão mais dispostas a excluir socialmente umas às outras. Benenson  acredita que mulheres podem se juntar por aí sorrindo e rindo com conversas educadas, íntimas e até afetuosas, ao mesmo tempo em que destroem as carreiras umas das outras.

Mulheres apresentam comportamento chamado “ameaça de favoritismo”, ou preocupação de que vão parecer tendenciosas se ajudarem umas às outras, observa-se, que, mesmo aquelas que já se predispuseram a ajudar no passado, hoje se recusam por se sentirem ameaçadas, e preferem partir para a disputa .

Até as mulheres sensatas (feministas), podem às vezes exibir elementos de comportamento de “abelha-rainha”, e elas não precisam estar em cargos altos. O maior problema de que ouvi falar é a “ameaça competitiva”, quando uma mulher teme que uma mulher recém-chegada a ofusque. Ela pode tentar sabotar a rival preventivamente.

A malvadeza está nos olhos de quem a vê, e o termo abelha-rainha, às vezes, é apelidado  a mulheres que estão apenas tentando fazer seu trabalho. Pode-se chamar isso de administrando e sendo mulher: muitos estudos mostram que as pessoas, homens e mulheres igualmente, não toleram nem uma ponta de dureza vinda de uma mulher, mesmo ela estando no comando.

Sinais mais evidentes de dois pesos e duas medidas é que mulheres não podem alcançar cargos importantes se não se defenderem e impuserem respeito. Mas elas também são maltratadas se não agirem como membros da equipe, animadas e autodepreciativas , sempre dando o crédito para os outros.

Quando as mulheres saem mesmo da linha e são mais agressivas, às vezes são outras mulheres quem as atacam por isso.

Dada à complexidade do fenômeno da abelha-rainha, é impossível determinar a sua prevalência.

No entanto, abelhas rainhas são claramente reais, e ignorar o problema não vai fazer com que desapareçam. Talvez, entendendo sua causa, nós possamos finalmente começar a enfrentá-lo.

Seja ou não justo, muitas mulheres parecem compartilhar o temor de que membro do seu gênero vão sempre lhe ameaçar e  tendem a podar umas às outras. Estudos acadêmicos mostram que quando as mulheres têm uma preferência quanto ao gênero de chefia e de colegas, essa preferência é em maior parte por homens.

“Embora mulheres acreditem que outras mulheres possam ser boas administradoras, as funcionárias na verdade não querem trabalhar para elas”.

Quanto mais tempo a mulher tiver na força de trabalho, menor a probabilidade de ela querer uma chefa mulher.

Para Rudman, “seria bom para as mulheres, como um todo, essa situação: “Mulheres individuais terão de ser abatidas antes. Você  não quer ser uma delas. E eu não a culpo”.

Alguém precisa ser a primeira, porém, se comportar com segurança, arriscar o azedume de nossas colegas como resultado e não de resistir a elas. Mas seria muito melhor se pudéssemos fazer isso como uma colmeia, todas unidas.

 

Rose Assis Amorim Aleluia

Diretora de Imprensa e Divulgação da APLB-Sindicato

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