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Professores empenhados ajudam a elevar rendimento dos alunos

A dona de casa Kelly Querotti soube da inflamação nos ouvidos da filha Júlia depois que a professora da menina percebeu o problema e a informou. Júlia, de nove anos, e o irmão Guilherme, de sete, estudam na escola municipal Lauro Rodrigues, Jardim Ingá, zona norte de Porto Alegre. Kelly confia nos professores. Para ela, eles ajudam os pais a educar melhor seus filhos.

“Eles criam atividades para incentivar os alunos e ainda nos ensinam a estimulá-los”, afirma Kelly. Ela aprendeu a fazer a brincadeira das estrelas com os professores. À medida que o aluno apresenta bom rendimento na escola, ele ganha estrelas, que são como pontos. Quanto mais estrelas o aluno acumular, mais chances tem de ganhar brindes, como pirulitos ou balões. A mãe garante que a competição é saudável e dá bons resultados. “No dia em que o Gui voltou para casa com um balão, todos os amiguinhos queriam um igual e ele ficou super orgulhoso”, diz.
Os meninos não querem faltar às aulas porque a escola inventa muitas atividades diferentes. “O Gui conta os dias para visitar a brinquedoteca e a Júlia adora a hora do conto”, relata. A brinquedoteca é um espaço pequeno repleto de atrações para todos os gostos. Tem fantasias, palco, bonecas, jogos, fantoches — tudo doado pela comunidade. Até a 4ª série, quinzenalmente meninos e meninas têm hora marcada na sala. Já na hora do conto, as crianças se acomodam na biblioteca para ouvir uma história  pela professora.

Por causa da feira do livro que ocorre na cidade, a escola fez sua própria feira e incentivou os alunos a adquirir os volumes mais desejados. “A Júlia gastou toda a economia do cofrinho para comprar livros do Ziraldo”, revela a mãe.

O trabalho dos professores rendeu bons frutos. A nota da escola no Índice de Desenvolvimento da Educação (Ideb) é de 4,3, acima da média nacional, de 3,8. Os professores acreditam na participação dos pais como elemento fundamental para garantir o sucesso dos alunos. A dona de casa Rosa Ranzolin não esquece o recado da professora do filho quando estava no pré: “Eu deveria sempre acompanhar meu filho, não só nos anos iniciais”. Seu filho, Vinícius, está no primeiro ano do fundamental (equivalente à 2ª série) e não tem problemas de aprendizado.

De tanto visitar o estabelecimento de ensino e compartilhar com os professores a tarefa de ensinar, Kelly hoje integra a equipe escolar, fazendo parte do conselho. Ela verifica o que é feito com o dinheiro que chega à escola, procura soluções, junto com os membros do conselho, para os problemas corriqueiros, como indisciplina no recreio ou necessidade de reparos imediatos. Na última reunião, o conselho decidiu buscar mais ajuda dos pais. “Queremos um pouco do tempo e do conhecimento de cada um. Um pai carpinteiro pode consertar a porta emperrada”, exemplifica. O objetivo é poupar tempo, dinheiro e envolver os pais no ensino.

Maria Clara Machado

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