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POR MARCOS BARRETO: RESPOSTA À MENSAGEM DE VOLTA ÀS AULAS PRESENCIAIS

*Por Marcos Barreto, professor municipal, diretor da APLB-Sindicato e conselheiro municipal de Educação:

 

Caros diretores/as, coordenadores/as, professores/as, alunos/as, mães, pais e responsáveis.

A VOLTA ÀS AULAS SOB AMEAÇA DE CORTES SALARIAIS E RISCO DE MORTE REVELA O MODELO DE EDUCAÇÃO PRATICADO PELA GESTÃO MUNICIPAL.

A Secretaria de Educação-SMED intenciona colocar vossas vidas em risco por meio de uma arbitrária, inconsequente e hipotética volta às aulas presenciais.

No momento em que o país alcança inacreditáveis 400 mil óbitos por COVD-19. Lamentavelmente, o prefeito Bruno Reis e o secretário de educação Marcelo Oliveira, se mostram indiferentes à morte de quase 6.000 cidadãos soteropolitanos, assim como com as mortes de muitas professoras, coordenadoras e gestoras, e outras trabalhadoras da educação, que dedicaram suas vidas a essa rede de ensino e ao nobre ofício de educar nosso povo preto, pobre e da periferia.

Para algumas autoridades de Salvador, as crianças soteropolitanas correm perigo por estarem sob os cuidados de seus pais durante a pandemia. O suposto aumento de violência doméstica, cooptação pelo trafico de drogas e até gravidez precoce, vêm sendo apresentados sem citar de onde tais ideias teriam sido retiradas. Naturalmente, nos cabe perguntar qual a sua condição para julgar e desqualificar os cuidados que as famílias, pais e/ou responsáveis oferecem às suas crianças.

Por outro lado, a educação de Salvador continua sendo tratada como uma peça de ficção publicitária pela SMED, e pelo mesmo grupo político que governa Salvador mantendo-a na pobreza e alimentando desigualdades a mais de meio século.

Saibam que, após 14 meses não houve investimentos em formação de professores, na rede de informática, nem na infraestrutura das escolas. A intenção deles é abrir os portões dos mesmos prédios, já precarizados antes da pandemia do COVID19.

Cabe-nos aqui defender a educação como uma saída para o estado lastimável que a primeira capital do Brasil foi condenada. Porém, essa Educação não acontecerá apenas pela precipitada abertura do portão das escolas durante a pandemia!

Salvador precisa de um planejamento pedagógico consistente que seja capaz de responder às demandas de uma sociedade em transformação. As dificuldades do ensino remoto são reais, mas se dão por absoluta negligência da SMED, que não garantiu os recursos para que professores e alunos tivessem acesso com condições mínimas para tal trabalho.

Salvador precisa de políticas públicas pautadas pela intersetorialidade com a Saúde, Combate à  Pobreza, Urbanismo, geração de emprego e distribuição de renda. Sem esses elementos, não há futuro para nossas crianças e cai por terra toda a falácia do discurso da SMED.

Nós, professores de Salvador, da rede pública e privada, (pois somos os mesmos nas duas redes), vivemos carregando nas costas todo o processo de ensino-aprendizagem há décadas, e também durante a pandemia, podemos garantir: QUANDO FOR SEGURO PARA NÓS E PARA NOSSOS ALUNOS, PROMOVEREMOS PRESENCIALMENTE A RECUPERAÇÃO DO QUE FOI PREJUDICADO, DESDE QUE FIQUEMOS VIVOS E SAUDÁVEIS.

Não exponham suas vidas e as vidas daqueles que convivem contigo ao risco de morte, que já arrebatou muitos professores (as) e quase 6000 pais e mães de alunos em Salvador.

Contamos com a lucidez de toda a comunidade escolar, pois as lições mais importantes que podemos ensinar são:

O RESPEITO E PRESERVAÇÃO DA VIDA! E A LUTA POR IGUALDADE DE OPORTUNIDADES E JUSTIÇA SOCIAL

PREFEITO, REVOGUE O DECRETO!

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