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Março: mês da mulher – leia o artigo de Lídice da Mata, primeira senadora da Bahia

Avançamos em nossas conquistas, mas a luta das mulheres continua

 

O Dia Internacional da Mulher, este ano, no Brasil, tem uma relevância ainda maior com a eleição da primeira mulher presidente. A vitória de Dilma Rousseff rompeu preconceitos e estabeleceu o critério da igualdade no cargo mais importante do país. Na Bahia, também registramos um avanço com a eleição da primeira senadora. A mulher pode sim ocupar qualquer função, mas para chegarmos a esse patamar foi preciso muita luta, mulheres pagaram com a vida o preço das conquistas que hoje festejamos.

 

Entretanto, se de um lado conseguimos chegar à Presidência da República e a outros cargos de relevância, ainda nos deparamos com situações que beiram à barbárie, com mulheres vítimas de violência de toda a natureza, muitas dessas atrocidades cometidas no seio do próprio lar, onde, em tese, deveriam receber proteção e afeto, mas acaba se transformando no foco de todas as tensões.

 

 A Lei Maira da Penha trouxe esperança de punições mais severas para conter essa violência, entretanto, ainda temos muito a fazer para que seja realmente aplicada nos termos em que foi concebida. De acordo com a ONU (Organizações das Nações Unidas), pelo menos uma em cada três mulheres no mundo já foi agredida, forçada a ter relações sexuais ou abusada, até mesmo nos países mais desenvolvidos essa violência é ainda latente.

 

Se no ambiente doméstico a situação é preocupante, em algumas profissões ainda nos deparamos com discriminações salariais e assédios, situações que revelam que temos muito que avançar nessa luta por igualdade. As pesquisas revelam que a cada ano aumenta o número de mulheres chefes de família, assumindo sozinhas as responsabilidades com a criação dos filhos, enfrentando tripla jornada de trabalho, muitas vezes, sem encontrar uma creche para deixar as suas crianças.

 

Na educação onde a força de trabalho feminino é predominante, nem sempre a dedicação é equivalente à relevância dessa atividade para o país. Por isso, quando fui prefeita de Salvador procurei dar um tratamento diferenciado à esse setor e criamos a Fundação Cidade Mãe. Sempre que as mulheres ocupam posições políticas, somam-se novas conquistas às nossas lutas.

 

No trabalho doméstica, o cenário torna-se ainda mais dramático, considerando que a grande maioria ainda desenvolve as suas funções sem o direito básico de todo o trabalhador, que é a carteira  assinada. Todas essas dificuldades tornam-se ainda maiores quando a mulher é negra.

 

Diante desse cenário, a importância da eleição da Presidente Dilma Rousseff reveste-se de relevância ainda maior, com a garantia de que as políticas públicas voltadas para a população feminina estarão entre as prioridades máximas de seu mandato. Dentro desse propósito algumas medidas já foram anunciadas, entre elas, a construção de creches, linhas especiais de crédito para mulheres e ações interministeriais de combate à violência e de formalização do trabalho doméstico.

 

Vale ressaltar que a criação de creches representa  muito mais do que um lugar para deixar as crianças em segurança,  proporciona às mulheres a possibilidade de inserção no mercado de trabalho, de melhoria no desempenho profissional, com a realização de cursos para disputar em condições de igualdade o mercado de trabalho cada vez mais exigente.

 

Precisamos de mais mulheres na política se não estamos presentes nos centros de decisões  o processo de luta por igualdade torna-se mais lento. Apesar de maioria da população, somos minorias nas Casas Legislativas, nos governos e nas prefeituras.

 

No Senado estarei lutando para trazer para o nosso estado os recursos necessários para que a Bahia continue se desenvolvendo economicamente em benefício dos baianos e baianas, mas estarei, particularmente, atenta às questões que dizem respeito às políticas públicas voltadas para as mulheres.

 

Senadora Lídice da Mata (PSB)

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