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RACISMO NO COLÉGIO VITÓRIA RÉGIA – APLB REPUDIA AFASTAMENTO DE PROFESSORA E PARTICIPA DE ATO EM PROTESTO

A APLB-Sindicato dos trabalhadores em Educação do Estado da Bahia manifesta repúdio pelo ato de racismo sofrido por uma professora do Colégio Vitória Régia, no Cabula, ao mesmo tempo que se solidariza e mobiliza os trabalhadores em Educação  para um grande ato de protesto em frente ao referido colégio, na próxima segunda-feira (22/11), às 9h.  Para o coordenador-geral Rui Oliveira a ação não pode ficar impune. “Racismo é crime! Temos que combater o racismo na escola e também em outros espaços. Não podemos permitir que casos como esse possam se repetir. Estamos solidários à professora e queremos mobilizar não só a Educação, mas toda a sociedade para apurar e denunciar os responsáveis por este crime, assim como trazer o assunto para à reflexão porque temos que nos unir a outras vozes e lutar contra este mal que assola o nosso país, vítima de um governo federal racista e preconceituoso”, destaca Rui.

De acordo com informações, a coleção de contos ‘Olhos D’água’, da premiada escritora mineira Conceição Evaristo revelaram-se um incômodo aos estudantes de uma turma de nível médio do colégio Vitória Régia, no Cabula. Há um mês, às vésperas do novembro negro, o estudo da obra foi negado pelos adolescentes que, à professora, justificaram: “Não vamos lidar com uma dor que não é nossa”. A professora foi afastada da turma de 40 alunos 15 dias depois, após pedidos de oito famílias contrárias à obra – desde então, proibida de ser mencionada nas dependências do colégio. Em reportagem ao Grupo Metrópole,  a  educadora explica que, a princípio, entendeu que, ao afastá-la, o colégio tentou preservar sua integridade física, já que os pais haviam ameaçado invadir suas aulas. O afastamento que acreditava ser momentâneo, contudo, está próximo de completar dois meses, contabiliza a professora, que mantém as aulas de História de outras três turmas. “A coordenação me disse que as famílias estavam enraivecidas comigo, algumas chegaram a ir até lá. Me sinto insegura, porque sequer sei quem são esses pais. Pretendo registrar um boletim de ocorrência e pedir uma medida protetiva”, pontua.

Não à toa, o ambiente de trabalho se tornou para a professora um sinônimo de aflição. “Tive crises de pânico. É como se a decisão de me afastar fosse um atestado de que estou errada”. Mesmo com o apoio de alguns alunos e colegas, não consegue superar o fato de que, dos cinco professores que trabalharam com o livro, foi a única afastada. “Associaram a autora negra à professora negra”. Lembra, no entanto, que a obra foi escolhida em um concurso da Árvore — programa de incentivo à leitura presente em escolas públicas e privadas de todo o país — e informou que o livro ‘Olhos D’água’ é indicado à faixa etária dos estudantes, entre 16 e 17 anos, além de ser cobrado em vestibulares como o da Universidade de São Paulo (USP).

A professora, que trabalha há 17 anos na instituição, e em outras três privadas, embarga a voz ao recordar o dia da aula remota, quando foi hostilizada após negar-se a pedir desculpas pelo conteúdo de Evaristo. “Racismo é injúria, mas também quando pessoas querem te colocar em posição de subserviência. Jamais me desculparia, em respeito à obra e à autora. Eles não quiseram sentir ‘a dor do outro’, tudo bem, mas nada mais é do que ter empatia”.

Em reunião com a direção, os pais teriam dito que não admitiam que a professora retornasse às aulas, a menos que se retratasse publicamente — o que ela não fez. Em suas redes sociais,  chegou a publicar que não passa “pano para racista”, o que motivou novas queixas dos pais e até um afastamento pontual de todas as turmas.

*O nome da professora foi omitido para preservar a identidade.

*Com informações do Jornal da Metrópole

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