29/07/2010
Artigo da professora Carmen Lúcia S. Barbosa: Crise da Escola Pública
ARTIGO
*Carmen Lúcia S. Barbosa
CRISE DA ESCOLA PÚBLICA
Vivemos na era da pós-modernidade, onde os valores culturais, cederam lugar para novos valores econômico. Vivemos a era de grandes crises: crise de conceitos, crise de valores crise da educação, etc. A escola pública, que segundo José Líbano (2002) deve ser o local reservado para o debate, e a construção do conhecimento, a edificação do saber; espaço reservado para a sistematização das idéias; escola como espaço cultural dedicado a maioria da população desprivilegiada transforma-se em palco de desmando, responsável pelo alojamento de alunos liberando os pais da responsabilidade de darem educação doméstica, com a perda do controle da educação dos seus filhos. Ante a tudo isso, a sociedade espera que solucionemos esta questão.
Estamos assistindo bestialmente a era do capitalismo globalizado, onde não existem fronteiras para as relações econômicas, principalmente do ponto de vista das negociações das grandes potencias como EUA, Japão, Inglaterra, ou seja, os tigres asiáticos, os quais em proveito dos países periféricos como Brasil, Argentina e outros. Continuamos a alimentar esta cadeia econômica, gerando riquezas para as grandes potências e pobreza para nós latinos, na medida em que copiamos modelos políticos econômicos e sociais.
Vivemos numa sociedade do descartável, consumindo desesperadamente todos os produtos que nos são apresentados pela mídia. Neste frenesi do descartável, ditado pelas regras do capitalismo globalizado, que rege o processo educativo para as leis de mercado, nosso alunado transforma-se em cliente e este deve orientar sua educação para aquilo que vai ser mais rentável.
Nesta arena de grandes negócios, há muito que se rever, especialmente, o papel da escola pública hoje, e o papel do profissional da educação nesta instituição. Segundo Ricardo Franklin, (1995) a escola pública esta sucateada, pois o governo retirou sua responsabilidade de gestor desta instituição, entregando nas mãos de particulares que direcionam a educação para áreas lucrativas do comércio.
Paralelos ao novo modelo econômico surgem novos modelos de educação que não permitem aos pais darem, sequer, uma palmada nos filhos para não traumatizá-los ou falar de forma bastante ríspida, como nossas mães faziam quando não estávamos querendo estudar. Tudo isso hoje é proibido, sob o argumento de que não coagir a criança e/ou deixá-la deprimida, pois os órgãos de defesa do menor e do adolescente, a saber: o Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA, não permite tais abusos. Impossibilitados de efetivar o devido corretivo, os pais entregam seus filhos à escola para os educadores resolverem a educação domestica e técnica. Como? Se a escola também está com suas vias limitadas, pois o medo se abateu sobre toda a instituição. Medo de punir devidamente a aluno, pois o ECA, Conselho Tutelar, Ministério Público, todos estes órgãos não permitem punições aos alunos, independente do que o aluno faça, este deve permanecer na escola, pois a escola se transformou na atualidade num depósito para as crianças, que as famílias se omitem em participar de sua formação e, até mesmo educação.
Daí, a pergunta que tem mexido muito com o imaginário das pessoas que trabalham na área de educação. Que tipo de educação estamos transmitindo para os nossos jovens?
Frente a uma economia globalizada em que o valor estar em ter muito dinheiro. Será que a ética, honestidade a moral e a integridade estão fora de moda? Jovens que sonham com uma vida de contos de fadas, sem fazer esforços para subir na vida, sonhando em ser um grande jogador de futebol, ou vender produtos ilícitos ou casar com o jogador ou ser modelo, vários outros caminhos que a sociedade oferece sem ter que necessariamente sentar em um banco de universidade. Todos esses caminhos levam muitos jovens a concluírem que não precisam estar em uma escola, porém, a grande surpresa para muitos é que estes outros caminhos não levam a um final feliz, como nos contos de fadas, mas afinal a se tornares personagens de filmes de terror.
Será que estamos vivendo a era da barbárie? Pois, a permissividade e o desrespeito vêm acontecendo no cotidiano da vida escolar. No início do ano ficamos sabendo através das páginas policiais do jornal que um professor de escola de cajazeiras foi esfaqueado pelas costas por um aluno. No mês de maio deste ano, na escola Eduardo Bahiana, uma professora da disciplina Língua Portuguesa foi desrespeitada por uma aluna, que por pouco não a surrou, no início do mês de julho, a mesma aluna por não ter se preparado devidamente para apresentar um trabalho que seria apresentado para a turma, dedicou o tempo que lhe era devido para fazer uma explanação de palavras torpes de baixo calão, colocando a moral e o respeito na lata de lixo.
Trabalho há dezesseis anos no Eduardo e nunca presenciei cena tão dantesca, mais parecia um filme pornográfico, segundo a aluna o show de interpretação pornográfica foi para não me surrar como se fosse normal o espancamento de professores.
Cada dia que se passa fica vidente o desrespeito ao profissional de educação, neste novo modelo de sociedade, ditado pelos meios de comunicação que tanto têm contribuído para a deformação de valores morais. O mestre dos conceitos torpes entra nos lares de muitas famílias nos horários nobres, ensinando como desrespeitar idosos, como prostituir criancinhas, como bater nos pais e muitas outras formas de como dá o xeque mate na ética e na moral. O trabalho do profissional de educação que leva em média 10 á 15 anos para formar um cidadão, leva em média para ser destruído alguns meses proeza exercida pelas novelas das emissoras de TV.
Somos ainda um país de grande desigualdade social, que só será reparado quando houver um investimento maciço na educação, oportunizando a todos de forma justa, a receber uma educação de qualidade. É preciso mais do que boa vontade e projetos engavetados. A escola precisa de regras rígidas, ter autonomia junto ao colegiado para tomar decisões e de um novo direcionamento e encaminhamento a novas diretrizes para fortalecer as decisões coletivas do corpo docente.
A transformação da sociedade depende do compromisso do governo com a educação pública. É impensável existir um modelo de progresso econômico, sem que haja investimento maciço na educação, países como China e Japão que deram um salto na economia, investiram pesado na educação. Para garantir o desenvolvimento educacional, no Brasil, é preciso estabelecer limites, hoje vejo a escola pública muito permissiva, ou sem forças para atuar junto ao alunado com firmeza. Ao aluno quase tudo é licito, lembrando do aluno que esfaqueou o professor no Edivaldo Brandão, este está de volta à escola para estudar, que sociedade é esta que a tudo permite? Será que é a sociedade da certeza da impunidade? Ou pior, a de que o crime compensa e é protegido por leis, ou por pessoas que pensam que a violência nunca vai chegar até si? Atualmente, o número de professores doentes com depressão tem aumentado consideravelmente.
O alunado precisa perceber que a escola pública contribui para a formação de idéias e valores que impulsione uma transformação social, mas esta transformação só será viável com limites a serem estabelecidos. É preciso uma escola que mostre autoridade, nós educadores não podemos ser reféns dos alunos, o medo não pode imperar sobre a escola, não podemos permitir essa inversão de valores ou a escola acaba com a impunidade ou esta nova ordem ditada pelo desmando imperara sobre a escola pública. Há quem interessa tanto desmando? que pena! que as pessoas que precisam tanto desta escola, não se dê conta de que, quanto menos educados, mais ricos se mantém as elites dominantes deste país e mais pobres continuam as pessoas que desta escola precisam.
Carmen Lúcia S. Barbosa
Professora de História da Rede Estadual
Saudações
Excelente artigo precisamos de prof conscientes assim na nossa rede, pois tneho me deparado com garnde utopistas que sonham em uma educaçaode conto de fadas.Pereito amei seria muito bom se todos podessem ler vou passas para os colegas continue asim bjs
Parabéns Professora Carmen Seu artigo retrata com fidelidade a realidade que nós Educadores da escola publica estamos inseridos.
Parabéns pelo brado profª Carmen. Compartilho contigo desta indignação.
Carmem, seu artigo aborda com bastante propriedade a situação da nossa escola pública. Parabéns!
Profra. CARMEN LÚCIA. SOU PROFESSOR DA REDE ESTADUAL HÁ 14 ANOS E HÁ OUTROS TANTOS ACOMPANHO A ESCOLA PÚBLICA ESTADUAL. NÃO CONCORDO COM QUASE A TOTALIDADE DO SEU DISCURSO. AGUARDE - CASO A APLB PUBLIQUE NESTE ESPAÇO,POIS SOU DESFILIADO DESDE 2004 - MEU COMENTÁRIO SOBRE O TEMA. UM ABRAÇO. FLÁVIO.
bom artigo pura verdade,a profissao de educador esta em decadencia completa,e duvido que se sustentara e no futuro nao muito longe estara EXTIIINTTAAA.
solidarizo-me com seu desabafo e digo mais: essa permissividade é generalizada inclusive na rede particular; é assim que se formam jovens capazes de tudo!A sociedade cobra dos professores o impossível: que sejamos dedicados e amorosos com pessoas que nos tratam como se não tivéssemos sentimentos. Competência temos mas não conseguimos pratica-la porque estamos pregando ora em um deserto, ora em um campo de batalha no qual estamos solitários. LAMENTÁVEL! Não aconselho ninguem a optar por esta profissão.
Perfeito! Infelizmente, do jeito que está, a escola pública está se tornando um centro de deformação de alunos. Eu sou de um tempo em que o aluno além de respeitar o professor também sentia orgulho de ser estudante.
Gostaria muito de ler o cometário do Professor Flávio. Em tempo, como está a questão, na Justiça,da revisão de enquadramento dos aposentados? Com a palavra o Professor Rui.
VOCE ESTA TOTALMENTE CORRETA,INFELIZMENTE NO MOMENTO NÃO POSSO ME INDENTIFICAR,POIS TRABALHO EM UMA ESCOLA PÚBLICA ONDE OS PROFESSORES NÃO TEM VOZ NEM VEZ DIANTE DESSA SITUAÇÃO QUE VOCÊ TEVE A CORAGEM DE CITAR, POIS MUITOS PROFESSORE JÁ SOFREU ALGUM TIPO DE AGRESSÃO MAIS SE SENTE REÇEOSOS EM DELATAR O FATO,ESTÁ TUDO MUITO ERRADO OBRIGADO POR TODOS OS PROFESSORES.
Compartilho do seu desabafo, pois esta percepção esta presente em muitos docentes, porém nossa categoria precisa ser mais solidaria sob pena de ser aniquilada.
Muito bem pontuados os seus questionamentos. É agonizante o estado das nossas escolas.
Professora, desde quando Inglaterra, França e EUA são Tigres Asiáticos e uma revisãozinha básica no texto não faria mal a ninguém.
Concordoplenamente, mas aos culpados acrescento a nossa calsse que é ultra desunida, num momento como e4sse4 [seria para nós fazermos manifestações públicas, nos afastando da sala de aula até que houvesse uma respostas dos nossos governantes. Mas a maioria se esconde e o que acontecerá se DEUS não intervir, agressões e mais agressões, mortes e mais mortes.´Estou asua inteira disposição. Que DEUS nos abençoe eguarde em todos os segundos,principalmente na sala de aula.
SOMOS MUITOS, SOMOS FORTES; SOMOS A BASE DO NOSSO PAÍS E SE QUISERMOS, VENCEREMOS. BASTA ESQUECERMOS O MEDO E CONFIARMOS EM 1º LUGAR EM DEUS E EM 2º NA FORÇA DE UMA CLASSE QUE PODE SER DOMINANTE OU DOMINADA SE PREFERIR. QUE DEUS ABRA OS OLHOS E DÊ CORAGEM ÁQUELES QUE TÊM MEDO DE LUTAR PELOS SEUS IDEAIS. Walnice Reis
Quero parabenizar a querida colega,pela coragem de apresentar este artigo, ela tocou na ferida do fracasso da educação em nosso país, a crise de valores, a omissão dos pais, as leis mal interpretadas, a ausência do Estado, tem levado a muitos professores ficarem desanimados com esta profissão. As novas tecnologias tem ajudado muito, mas não pode ocupar o espaço da reflexão, da leitura, da exposição. Somos todos os dias agredidos com palavras,perdeu-se todo o respeito pelo profissional da educação, a nossa autoestima vai para baixo. O que fazer nesta realidade? Como recuperar a EDUCAÇÃO, como formação de valores? Está aí o grande desafio.
muito bom e verdadeiro seu artigo,parabens por sua coragem.
PAREBÉNS COLEGA Seu artigo foi muito sincero e verdadeiro, um grande desabafo; porém vamos ser mas coorporativistas com a classe, e tbm mais educados nos comentários. Erros são parte da vida dos humanos, agora só faltava Profº FLAVIO dizer que todo esse relato é mentira. abraços.
Parabéns professora.Com certeza somos reféns dos alunos .Este ano já fui ameaçada de morte.Apenas porque chamei a mãe de um aluno para conversar.Toda vez que entro nesta sala fico amedrontada.Procuro fazer de tudo para agradar.Sinto-me refém.
Concordo plenamente com a professora. Tudo que foi dito nada mais é do que um cumprimento bíblico que diz:“Sabe, porém, isto; que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos. Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos prazeres do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te”. (II de Paulo a Timóteo 3:1-5).
O comentário e a citação feitos por Marcelos nos faz relefir: estamos em tempos de franca expansão de templos evangélicos, ao passo que a escalada da violência dá grandes saltos. O Estado do Rio de Janeiro é um dos maiores do país tanto em índices de violência quanto em número de evangélicos. Eis aqui apenas alguns pontos para reflexão.
Céli, seu artigo é muito bom mesmo e está retratando o caos que estamos vivendo. Um grande abraço.
prof. Liliana Lima. Retificando. Os países tigres asiáticos são Cingapura, Hong Kong, Coreia do Sul e Taiwan utilizaram métodos diferentes para o desenvolvimento econômico, no entanto, essas nações apresentaram aspectos comuns fortes apoio do governo proporcionando infraestrutura necessária. Quanto ao G- 8, 8 corresponde ao grupo dos 8 países mais ricos e influentes do mundo, fazem parte os Estados Unidos, Japão, Alemanha, Canadá, França, Itália, Reino Unido e Rússia. , a função do G-8 é a de decidir quais ou quais caminhos o mundo deve seguir, pois esses países possuem economias consolidadas e suas forças políticas exercem grande influência nas instituições e organizações mundiais, como ONU, FMI, OMC. A discussão gira em torno que países em desenvolvimento como o Brasil fica a mercê dessas grandes potencias ,maquiando uma realidade inexistente para receber empréstimos do BIRDE e outros órgãos continuar na dependência financeira sem de fato melhorar a educação. obrigada.
Professora, obrigada por suas refexões.O pequeno erro de história pouco interfere na matéria do seu protesto. Ontem mesmo uma aluno se referiu a mim dizendo "aquela vaca já saiu da sala". Pedi uma atitude da escola frente a este desacato que era para eu considerar que a aluna me pediu desculpas. Veja a que nível chegamos!
Na maioria das vezes, na sala de aula, o professor tem que fazer o que o aluno quer.Caso contrário corre o risco de morrer.Ainda não aposentam professor com 25 anos de serviço.Tem que ter 50 de idade.Malditos!É porque não são eles que suporta isto.
PARABÉNS, CARMEM! ESTOU NA FRENTE DO MEU PC, EM PÉ, BATENDO PALMAS PARA VC. PRONTO. COMENTAR O QUÊ? FALAR O QUÊ? VC PERSONALIZOU NOSSO SENTIMENTO, NOSSO COTIDIANO. COSTUMO DIZER AOS COMPANHEIROS QUE NÓS ESTAMOS VIVENDO A ERA DA INVERSABILIDADE(VALORES)E AUTÔNOMA(MÁQUINAS). E MÁQUINA NÃO TEM SENTIMENTO. O ROTEIRO JÁ ESTÁ PRONTO...NOSSA CONDUÇÃO É O CAPITAL. O QUE ESPERAR? SERÁ QUE A RESPOSTA NÃO ESTÁ NO LIVRO SAGRADO(APOCALIPSE) E NÓS NÃO QUEREMOS ENXERGAR? FAREI COM QUE SEU TEXTO SEJA DEBATIDO EM CADA UNIDADE ESCOLAR DA MINHA CIDADE(UAUÁ). FELICIDADES!!
Não sei o que viram de tão valioso neste texto que justificasse comentários tão generosos. Percebi muitos erros gramaticais, desconhecimento da geopolítica mundial (Tigres Asiáticos - a expressão já diz: “asiáticos”. Ficam na Ásia.) Falta fundamentação que sustente as reflexões. Desculpem a franqueza, mas o seu texto é fraco.
Texto claro e objetivo. Parabens!
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