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Jorge Carneiro: “O centenário da Revolução Russa”

OS 100 ANOS DA GRANDE REVOLUÇÃO DE OUTUBRO

* Por Jorge Carneiro

O ano de 2017 marca o centenário da Revolução Russa, grande legado das forças democráticas e revolucionárias que têm como horizonte o socialismo. A Revolução de Outubro foi o instrumento utilizado para que, pela primeira vez, os trabalhadores chegassem ao poder, dando início à construção de uma outra sociedade, que despontasse para o fim da exploração do homem pelo homem.

A revolução liderada por Vladimir Lênin foi o marco de todo um século, gerando nova perspectiva e muita esperança a milhões de russos e aos povos de todos os cantos do planeta, fartos da guerra, da miséria generalizada e da dominação imposta pelo imperialismo. Iniciava-se ali um novo ciclo, dando-se vez e voz às mulheres, aos povos coloniais e aos negros. Aliás, a Revolução permitiu que fossem criadas melhores condições para o fortalecimento da democracia e dos direitos sociais no próprio mundo capitalista.

Nesse primeiro centenário, que tanto desperta o saudosismo, mas que também serve para reflexão e a autocrítica dos que pretendem uma outra sociedade – justa, democrática e socialista -, não foram poucos os ataques ofertados pela grande mídia à Revolução Bolchevique, aos partidos socialistas e comunistas, de todo o mundo, e aos grandes líderes soviéticos. Tentaram, por repetidas vezes, macular a imagem daquela revolução, apresentando-a sempre como algo negativo e de triste história. Jornais e noticiários de diferentes países se apegaram aos erros e excessos cometidos por alguns e passaram a apresentar o socialismo como um sistema totalitário e ditatorial, assemelhado ao nazismo, como se representasse um planetário de crimes e erros. Nada mais torpe! 

Cabe à história defender o legado da Revolução Russa e o seu papel progressista na modernidade. Afinal, de 1917, quando a Rússia czarista, com população majoritariamente camponesa, era dos países mais atrasados da Europa e sua gente estava condenada à miséria e ao analfabetismo, até o período pleno do socialismo soviético, não foram poucas as mudanças sofridas. Sob o socialismo, a Rússia se transformou num país moderno e socialmente avançado. Em poucas décadas se tornou a segunda maior potência planetária, fazendo frente aos EUA. O desemprego, a fome e a miséria foram superados. A expectativa de vida cresceu significativamente, ao tempo em que o mortalidade foi reduzida de forma drástica. O planejamento econômico, a reforma agrária e a criação de um sistema de saúde e previdenciário com grande musculatura jogou o país em novo patamar desenvolvimentista. Houve também uma grande revolução educacional, eliminando-se o analfabetismo e incorporando setores operários e camponeses ao ensino técnico, profissionalizante e superior, numa escala jamais observada em qualquer outro país.

Os efeitos positivos da Revolução Russa ultrapassaram as fronteiras soviéticas e se alastraram por todos os continentes. Uma onda socialista passou a influenciar o proletariado mundial. Os parlamentos de diversas nacionalidades ficaram mais cautelosos. O medo da “Onda Comunista”, por exemplo, contribuiu para que os deputados estadunidenses aprovassem a legislação dos direitos civis e políticos para os negros e que dezenas de milhares de sindicatos fossem fundados no planeta.

A derrota do exército nazista da Alemanha pela União Soviética representou a vitória da economia planejada, da igualdade, da fraternidade e da democracia  sobre a economia de livre mercado, o racismo, o sexismo o chauvinismo e o colonialismo bélico. Assim, depois de 1945, o isolamento da URSS chegou ao fim. Os países bálticos e muitas nações do Leste Europeu tornaram-se aliados de primeiro hora. As revoluções específicas passaram a contar com grande retaguarda. O socialismo avançou pelo mundo.

No entanto, a crise marcada pela ofensiva imperialista, erros de condução, burocratização exacerbada e o crescimento da linha revisionista no seio do Partido Comunista Soviético acabou por criar uma situação desfavorável para as forças revolucionárias de todo o mundo. Na ultima década do século passado, os ideólogos da nova ordem mundial “decretaram” o fim da história e da luta de classes, o fim das ideologias e das utopias sociais. Nada mais falso!

A globalização sob a hegemonia do capital financeiro e especulativo tem centralizado a riqueza na mão de grupos cada vez menores. Jamais vimos tamanha concentração de riqueza nos bolsos de tão poucos. Enquanto isso, o crescimento da miséria e das injustiças sociais se dá de forma geométrica, inclusive nos países mais de desenvolvidos do mundo. A crise do capitalismo está aí, conduzindo a humanidade à barbárie e a um processo de degeneração ideológica, culminando com o surgimento e fortalecimento de correntes de extrema direita e de ideais fascistas. Assim, o caráter doentio e antissocial do capitalismo abre a perspectiva e a necessidade de retomada da luta pelo socialismo. Para isso, precisaremos – à luz do passado – aprender com nossos erros e acertos. Dessa forma, imprescindível é conhecer as experiências socialistas iniciadas com a Revolução Russa.

Viva o Centenário da Revolução Russa!

* Jorge Carneiro é professor, geógrafo, jornalista e diretor da APLB-Sindicato

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