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Nivaldino Felix: DE ONDE VEM A VIOLÊNCIA INSTITUCIONAL

Devido ao processo escravagista, o Brasil tem uma história de violência contra a raça negra das mais cruéis. São mais de quinhentos anos de castigos e intolerância com este povo que nunca pediu para vir para o Brasil. Foram trazidos pela mira das armas dos colonizadores portugueses, na condição desumana de escravos.

Portanto, a violência praticada até hoje contra o povo negro é uma herança da escravidão  torpe, que perdura até os nossos dias e se manifesta através de diversos setores  da sociedade capitalista. Está  presente tanto na péssima qualidade da educação pública, quanto na falta de habitação e na expulsão dos negros do campo. Uma violência institucional, onde o que mais se destaca é a violência policial nos guetos.

Este processo de violência policial foi muito mais contundente nos anos 70, em função do regime militar. Nesse período, era comum o espancamento de negros sem nenhuma justificativa e a impunidade era comum. As denúncias através da organização do movimento da causa negra e de outras organizações do campo democrático eram os únicos instrumentos de combate às ações covardes do Estado fascista.  Até os nossos dias, mesmo entendendo que estamos vivendo em uma “democracia”, as ações no que se refere à violência policial, principalmente,  são quase que idênticas e a impunidade tem prevalecido, vide a matança da juventude negra nos bairros periféricos das mais variadas cidades deste país.

Infelizmente estas ações são praticadas muitas vezes por policiais negros, que também moram nas periferias das cidades, e agem sob o jargão de serem uma autoridade, e com isso  maltratam o seu próprio povo, dizendo que estão cumprindo a lei. Muitas vezes, as vitimas são pessoas inocentes.

Toda  esta violência é provocada por um sistema capitalista opressor, que  quer  manter um novo paradigma  de escravidão, onde o homem negro é  semi escravizado em troca de um mísero salário que mal dá para a sua sobrevivência. E assim, o aprofundamento das  péssimas condições  de vida dos afrodescendentes é alimentado por esta desigualdade social, que vai gerar, naturalmente, uma convulsão social de grandes proporções.

  

Nivaldino Felix

Diretor de imprensa da APLB

Pesquisador e militante do movimento negro  

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