Salvador - BA, 18 de outubro de 2004 - Ano I - Numero 18
Boletim Eletrônico da Rede Municipal - Salvador-Ba


FELIZ DIA DO PROFESSOR

Dia do Professor

Quinze de outubro é o Dia do Professor, este profissional que tem o compromisso de contribuir para o exercício da cidadania. Formador de opinião por convicção, o trabalho do professor não é devidamente reconhecido pela sociedade.

Na rede pública, o docente ingressa por concurso público, mas quando chega às escolas públicas, encontra uma dura realidade. Para os governos, as escolas públicas são verdadeiros "depósitos de crianças". O governo só se importa com a quantidade e não dá a mínima importância para a qualidade.

Na sua maioria, as escolas estão completamente sucateadas e sem pessoal de apoio. Pois há 20 anos não há concurso público no estado da Bahia para funcionários de escolas. O quadro de pessoal técnico-pedagógico também é reduzido. Acabaram com os cargos de supervisores e orientadores educacionais.

A Bahia é o estado campeão no quesito escolas sem bibliotecas e informática. Acesso aos computadores, geralmente, só na sala da diretoria. Não existem também espaços decentes para práticas esportivas, recreativas e culturais.

Com o reordenamento das matrículas, há situações distintas. No turno vespertino há carência de alunos e no turno da noite as salas ficam superlotadas, chegando ao número de até 60 alunos por sala de aula. Além disso, está sempre presente a falta de segurança, que contribui para elevar a evasão escolar.

No que diz respeito à formação, no interior do estado a maioria dos professores que atuam da 5ª à 8ª série e no ensino médio não possuem a formação adequada para lecionar.

São professores com formação de Magistério lecionando Física, Matemática, Química, etc, prejudicando e contribuindo para um aprendizado inadequado dos estudantes com a complacência do governo estadual.

Como se isso não bastasse, o governo estadual reduziu o tempo de escolaridade média dos estudantes de 11 para 5 anos e meio. Enquanto isso, na Argentina e nos países desenvolvidos, o tempo de escolaridade média é superior a 15 anos. Aqui na Bahia, por conta das modalidades Aceleração I, II é III, CBE e CBA, os estudantes da rede pública são obrigados a concluir da 1ª à 4ª série em 2 anos. Nesta etapa deveriam estar alfabetizados, mas na realidade são ainda analfabetos. O mesmo acontece entre a 5ª e a 8ª série, quando mais uma vez o governo estadual impõe a Aceleração II e quatro anos são reduzidos para apenas dois.

Pois estes estudantes ingressam no ensino médio totalmente despreparados e ao invés de permanecerem três anos no ensino médio, eles são induzidos a fazer a Aceleração III em um ano e meio.

Um estudo realizado pelo MEC, a SAEB e o INEP constata que na Bahia os estudantes das escolas públicas ao concluírem a 3ª série do ensino médio não conseguem dividir 10 por 0,1 e não sabem construir um parágrafo, tornando-se assim verdadeiros analfabetos funcionais.

No Brasil, do ponto de vista da valorização do profissional, não há reconhecimento do trabalho desenvolvido pelos docentes por parte dos governos, embora não falte disposição de luta da categoria.

Os trabalhadores em educação há décadas vêm lutando por sua valorização com intensas manifestações, greves, denúncias e outras formas ações de mobilização. Existe a perspectiva de algumas ações que vislumbrem uma melhoria ainda que tardia, como a luta pela redução da jornada de trabalho; por livros didáticos para o ensino médio, construção de laboratórios; informatização das escolas; gestão democrática com eleições diretas para diretores e vice-diretores das escolas públicas; formação com graduação e pós-graduação para todos; piso salarial nacional unificado; carreira única para os docentes; escola de tempo integral para todos; garantia de acesso a creches; pré-escola; educação infantil para todos os níveis; fim das modalidades Aceleração I, II e III; fluxo escolar; bibliotecas equipadas em todos os níveis de ensino; ginásio poli-esportivo; teatro e a participação ativa da sociedade organizada na busca de um ensino público de qualidade, com profissionais valorizados. Este, por certo, é o nosso sonho no Dia do Professor.

Rui Oliveira
Coordenador-geral da APLB/ Sindicato
Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Bahia

 

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