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FELIZ
DIA DO PROFESSOR
Dia
do Professor
Quinze
de outubro é o Dia do Professor, este profissional que tem
o compromisso de contribuir para o exercício da cidadania.
Formador de opinião por convicção, o trabalho
do professor não é devidamente reconhecido pela sociedade.
Na
rede pública, o docente ingressa por concurso público,
mas quando chega às escolas públicas, encontra uma
dura realidade. Para os governos, as escolas públicas são
verdadeiros "depósitos de crianças". O governo
só se importa com a quantidade e não dá a mínima
importância para a qualidade.
Na
sua maioria, as escolas estão completamente sucateadas
e sem pessoal de apoio. Pois há 20 anos não há
concurso público no estado da Bahia para funcionários
de escolas. O quadro de pessoal técnico-pedagógico
também é reduzido. Acabaram com os cargos de supervisores
e orientadores educacionais.
A Bahia
é o estado campeão no quesito escolas sem bibliotecas
e informática. Acesso aos computadores, geralmente, só
na sala da diretoria. Não existem também espaços
decentes para práticas esportivas, recreativas e culturais.
Com
o reordenamento das matrículas, há situações
distintas. No turno vespertino há carência de alunos
e no turno da noite as salas ficam superlotadas, chegando ao número
de até 60 alunos por sala de aula. Além disso, está
sempre presente a falta de segurança, que contribui para
elevar a evasão escolar.
No
que diz respeito à formação, no interior do
estado a maioria dos professores que atuam da 5ª à 8ª
série e no ensino médio não possuem a formação
adequada para lecionar.
São
professores com formação de Magistério lecionando
Física, Matemática, Química, etc, prejudicando
e contribuindo para um aprendizado inadequado dos estudantes com
a complacência do governo estadual.
Como
se isso não bastasse, o governo estadual reduziu o tempo
de escolaridade média dos estudantes de 11 para 5 anos e
meio. Enquanto isso, na Argentina e nos países desenvolvidos,
o tempo de escolaridade média é superior a 15 anos.
Aqui na Bahia, por conta das modalidades Aceleração
I, II é III, CBE e CBA, os estudantes da rede pública
são obrigados a concluir da 1ª à 4ª série
em 2 anos. Nesta etapa deveriam estar alfabetizados, mas na realidade
são ainda analfabetos. O mesmo acontece entre a 5ª e
a 8ª série, quando mais uma vez o governo estadual impõe
a Aceleração II e quatro anos são reduzidos
para apenas dois.
Pois
estes estudantes ingressam no ensino médio totalmente despreparados
e ao invés de permanecerem três anos no ensino médio,
eles são induzidos a fazer a Aceleração III
em um ano e meio.
Um
estudo realizado pelo MEC, a SAEB e o INEP constata que na Bahia
os estudantes das escolas públicas ao concluírem a
3ª série do ensino médio não conseguem
dividir 10 por 0,1 e não sabem construir um parágrafo,
tornando-se assim verdadeiros analfabetos funcionais.
No
Brasil, do ponto de vista da valorização do profissional,
não há reconhecimento do trabalho desenvolvido pelos
docentes por parte dos governos, embora não falte disposição
de luta da categoria.
Os
trabalhadores em educação há décadas
vêm lutando por sua valorização com intensas
manifestações, greves, denúncias e outras formas
ações de mobilização. Existe a perspectiva
de algumas ações que vislumbrem uma melhoria ainda
que tardia, como a luta pela redução da jornada de
trabalho; por livros didáticos para o ensino médio,
construção de laboratórios; informatização
das escolas; gestão democrática com eleições
diretas para diretores e vice-diretores das escolas públicas;
formação com graduação e pós-graduação
para todos; piso salarial nacional unificado; carreira única
para os docentes; escola de tempo integral para todos; garantia
de acesso a creches; pré-escola; educação infantil
para todos os níveis; fim das modalidades Aceleração
I, II e III; fluxo escolar; bibliotecas equipadas em todos os níveis
de ensino; ginásio poli-esportivo; teatro e a participação
ativa da sociedade organizada na busca de um ensino público
de qualidade, com profissionais valorizados. Este, por certo, é
o nosso sonho no Dia do Professor.
Rui
Oliveira
Coordenador-geral da APLB/ Sindicato
Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Bahia
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